Nem sempre o adolescente consegue explicar o que sente. Escuta, vínculos seguros e ajuda profissional podem fazer diferença diante de sinais persistentes.

Adolescência, mudanças e sofrimento emocional

A adolescência é uma fase de muitas mudanças. O jovem começa a buscar sua identidade, deseja mais liberdade e procura encontrar seu lugar no mundo. Em meio a tantas transformações, porém, pode enfrentar dificuldades emocionais que nem sempre consegue compreender ou expressar.

É nesse contexto que precisamos estar atentos ao sofrimento emocional. A depressão nem sempre se manifesta como tristeza. Pode aparecer na irritabilidade, no isolamento, na perda de interesse por atividades antes prazerosas e nas alterações do sono e do apetite. Quando esses sinais persistem e afetam a vida cotidiana, é importante buscar ajuda profissional.

Olhar para além do comportamento

Mas como compreender o que está acontecendo com esse jovem? Na perspectiva da Gestalt-terapia, é importante olhar para além do comportamento, considerando as experiências do adolescente e as relações que fazem parte de sua vida.

No capítulo “Implicações clínicas das reações parentais diante da adolescência dos filhos”, publicado no livro Adolescência na clínica gestáltica, Luciana Aguiar aborda as relações entre pais e filhos nessa fase da vida. Essa reflexão nos convida a considerar como as reações dos adultos participam da experiência do adolescente e a buscar compreender o que existe por trás de atitudes que, muitas vezes, preocupam a família.

Expressão, autonomia e vínculos seguros

Nessa direção, Violet Oaklander destaca a importância de favorecer a expressão dos sentimentos e o fortalecimento do senso de si. Afinal, nem sempre o adolescente consegue colocar em palavras aquilo que sente. Por isso, precisa de um espaço onde possa ser escutado e acolhido sem julgamentos.

Ao mesmo tempo, precisa construir sua autonomia, desenvolver ideias próprias e aprender a fazer escolhas. Oferecer liberdade não significa abandonar, assim como estabelecer limites não significa deixar de escutar. O adolescente precisa de espaço para crescer, mas também de vínculos seguros nos quais possa confiar.

Como os pais podem ajudar

Na tentativa de ajudar, os pais podem acabar oferecendo conselhos ou minimizando o sofrimento com frases como “isso é coisa da sua idade”. Muitas vezes, porém, o jovem precisa primeiro sentir que alguém está disposto a ouvi-lo e compreender sua experiência.

Talvez seu filho não consiga explicar o que está sentindo. Talvez se feche justamente quando mais precisa de proximidade. Nesses momentos, experimente trocar a pergunta “Por que ele está agindo assim?” por outra: “O que será que meu filho está vivendo e ainda não consegue me contar?”

Quando buscar ajuda profissional

A psicoterapia pode ajudá-lo a reconhecer sentimentos, compreender suas necessidades e encontrar novas formas de lidar com as dificuldades. Diante de sinais persistentes de depressão, é importante buscar avaliação profissional. Falas sobre morte ou vontade de desaparecer devem ser levadas a sério e exigem ajuda imediata.

Muitas vezes, o primeiro passo para ajudar um adolescente não é oferecer respostas, mas construir uma relação de confiança na qual ele se sinta seguro para falar.

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Conteúdo informativo e educativo. Não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico individualizado.